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14 – Percepções sobre a prática profissional da arquitetura e do urbanismo

Durante a prática profissional da arquitetura e do urbanismo, presenciei algumas verbalizações que eu gostaria de ter conhecido ainda durante os períodos de graduação. A seguir, comento brevemente 05 (cinco) percepções sobre a prática profissional:   1.   “O projeto está pronto. Só falta desenhar”. O desenvolvimento de projetos arquitetônicos abrange o estudo de ideias e a compatibilização de necessidades humanas com limitações/condições de ordens variadas: limitações climáticas, limitações financeiras, características histórico-culturais, limitações logísticas locais, etc.. Ainda que a organização de espaços possa ser mentalmente premeditada, essa organização fica aprimorada pela materialização através de desenhos, maquetes físicas, maquetes eletrônicas. Projetos arquitetônicos abrangem desenhos técnicos cuja elaboração, não raro, oportuniza a detecção de óbices e de ressalvas que, na esfera das ideias e dos pensamentos, podem ser de difícil percepção. Em certa ocasião, escut...

13 – Comentários sobre equívocos relacionados ao desenvolvimento de projetos arquitetônicos.

Ao final da obra literária "Saber ver a Arquitetura", o autor, Bruno Zevi, apresenta resumos de diversas referências bibliográficas que considerou pertinentes. Dentre esses resumos, Zevi (1984, p. 242) dedica um parágrafo à obra literária publicada em 1932 " Real Architecture ", de autoria de Thomas Henry Lyon, e reproduz "os erros mais comuns de quem encomenda uma casa e dos próprios arquitetos". São elencados, assim, 07 (sete) elementos que, ainda durante a publicação da obra literária “Saber ver a Arquitetura” na década de 1980, permaneciam relevantes no âmbito do desenvolvimento de projetos arquitetônicos. Ciente de que esses elementos devem ser estudados em vista da época e do contexto em que a obra literária “ Real Architecture ” (LYON, 1932) foi redigida, transcrevo esses elementos e apresento, sob uma perspectiva quase 100 anos após 1932, breves comentários: 1.    “a diferença existente entre uma arquitetura de qualidade e um belo desenho pictórico...

12 – Notas sobre a conformação de espaços urbanos.

Em tempos e em regiões diferentes, a conformação de espaços urbanos apresenta diferenças e especificidades. Choay (1980, p. 2) observa que “o sagrado e a religião foram, tradicionalmente, os grandes ordenadores do espaço humano”. Ching e Eckler (2014, p. 13-14) observam que a arquitetura, em primórdios, atendia às necessidades básicas de abrigo e que, em tempos subsequentes, passou a atender também a necessidades socias e culturais. Ching e Eckler ( ibidem ) relatam que as “artes da construção e seus usos especializados” passaram a ser dedicados a “propósitos religiosos e públicos”, havendo pluralidades de expressão: algumas sociedades mais pragmáticas que outras; algumas mais simbólicas que outras; ênfases em equipamentos de ordem funcional e pragmática, como silos; ênfases em equipamentos de cunho imaterial, como templos. Expõem, também, que “(...) em alguns lugares, os ofícios associados com a construção eram controlados pela elite. Em outros, as artes de construção tinham uma expre...

11 - Os conformadores dos espaços urbanos.

Espaços urbanos são destinados a comportar vivências, socializações, atividades econômicas, lazeres etc.. Espaços urbanos não se formam naturalmente. Pelo contrário, são conformados intencionalmente por pessoas. Ao discorrer sobre o que é o espaço urbano, Corrêa (1989, p. 07) se refere a “uma grande cidade capitalista” na qual há um complexo conjunto de diferentes e justapostos usos da terra. Para esse autor, esse conjunto de usos representa “a organização espacial da cidade ou, simplesmente, o espaço urbano”, abrangendo concentrações de “atividades comerciais, de serviços, de gestão, áreas industriais, áreas residenciais distintas em termos de forma e conteúdo social, de lazer e, entre outras, aquelas de reserva para futura expansão”. Considero que o “espaço urbano” ao qual Corrêa (1989) se refere abarca tanto o “espaço urbanístico” quanto o “espaço (...) propriamente arquitetônico” distinguidos por Zevi (1984, p. 41). Em sentido convergente, considero que o "espaço urbano" ...

10 - Breves notas sobre a conformação de espaços arquitetônicos.

Espaços arquitetônicos podem ser conformados por edificações e, também, por elementos construtivos distintos, independentes, fisicamente desconectados dessas edificações. CHING e ECKLER (2014, p. 84) alertam acerca da relevância de serem considerados os impactos da forma da edificação sobre o espaço circundante. No que tange à escala urbana, esses autores observam a relevância de ser compreendido “se o papel de uma edificação é continuar o tecido urbano existente em um lugar, compor um pano de fundo para as outras edificações, definir um espaço urbano ou se deveria estar solto no espaço, como um objeto importante”. No que tange ao terreno que comporta edificações, esses autores listam “várias estratégias para relacionar a forma de uma edificação ao espaço que a circunda”. Fala-se, por exemplo, sobre o edifício: “fechar parte de seu terreno, configurando um espaço de estar externo protegido de condições climáticas indesejáveis”; “configurar e fechar um pátio interno ou um átrio dentro d...

09 - Percepções sobre elementos construtivos que conformam espaços.

Há diferença entre o que é referente à expressão “sistema construtivo” e o que é referente à expressão “sistema estrutural”. Há elementos construtivos que não integram sistemas estruturais. Desprovidos de responsabilidade estrutural, há elementos construtivos cuja escolha independe, genericamente, do sistema estrutural: portas, janelas, revestimentos de piso, revestimentos de faces internas de paredes, revestimentos de faces externas de paredes etc..  A arquitetura vai além da estrutura edilícia. A arquitetura cuida dos espaços conformados por sistemas construtivos e abrange, também, os espaços descobertos. Ching e Eckler (2014, p. 52-54) afirmam que “além dos condicionantes impostos pelas cargas estruturais e pela resistência dos materiais, a construção também tem a capacidade de afetar a maneira como o espaço é percebido”. Dentre as características dos materiais de construção as quais balizam percepções, esses autores elencam a cor, a textura, o peso visual, a opacidade e a refle...

08 - Quando o ambiente construído se torna arquitetura.

O ambiente construído pode ser representado por objetos arquitetônicos e por elementos urbanísticos. Casas, edifícios verticais e galpões industriais exemplificam objetos arquitetônicos. Coretos, bancas de revistas, pistas de caminhada, pistas de skate exemplificam elementos urbanísticos. O ambiente construído pode ser destacadamente arquitetônico, ainda que urbanístico em certa medida. A recíproca é procedente. Dentre a ementa referente à ação direta de inconstitucionalidade ADI 3.540-MC/DF ( vide ADI 3.540-MC/DF, Rel. Min. Celso de Mello, DJ de 3/2/2006), são citadas 04 (quatro) qualificações do meio ambiente: meio ambiente natural; meio ambiente cultural, meio ambiente artificial (espaço urbano); meio ambiente laboral. Em brevíssima análise dessas qualificações, fica possível constatar que o meio ambiente artificial abrange objetos arquitetônicos e elementos urbanísticos. Esses objetos e esses elementos, todavia, participam do meio ambiente cultural e do meio ambiente laboral e, t...