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Mostrando postagens de fevereiro, 2025

31 – Considerações sobre a natureza do preço de imóveis.

Processos de urbanização apresentam natureza econômico-espacial e dinâmicas sociopolíticas (FERNANDES, 2012). Nas aglomerações urbanas, há a presença intensa do mercado, sendo possível associar o termo “Cidade” a centros de produção e consumo nos quais ocorre a circulação de mercadorias (ROLNIK, 1988, p. 26) e a acumulação de capital (HARVEY, 2005). Ações do poder público influenciam a produção, a circulação e o consumo e, em relação ao mercado imobiliário, podem ensejar a distribuição desigual, inequânime, dos ônus e dos bônus da urbanização. Ações da sociedade civil também influenciam a produção, a circulação e o consumo. Corrêa (1989, p. 15) salienta que a propriedade fundiária consiste num importante elemento do processo de acumulação do capital, sendo que a “propriedade da terra é pré-requisito fundamental para a construção civil”. Em relação aos imóveis urbanos, Lira (1997, p. 113) pontua que “a possibilidade de construir constitui a essência econômica da propriedade”. Furtado ...

30 – Distinção entre o poder aquisitivo (ou poder de aquisição de bens), o poder de acumulação de capital e a riqueza pecuniária/patrimonial.

Em vista de leituras das obras literárias de Sen (1992), Harvey (2001), Rocha (2003) e Chang (2013), percebo que são distintos a riqueza de uma pessoa, o poder aquisitivo (ou poder de aquisição de bens) dessa pessoa e o poder de acumulação, por parte dessa pessoa, de capital. O termo “riqueza” é passível de debates. Além da riqueza financeira, pode-se conversar sobre demais riquezas: riqueza de saúde; riqueza de afeto e amor, riqueza espiritual etc. . Em certa ocasião, escutei de um arquiteto-urbanista a seguinte afirmação: “a riqueza ocorre quando você não precisa trabalhar para manter seu padrão de vida”. Observo que essa riqueza depende de circunstâncias pessoais, locais, regionais, culturais. Entendo que o poder aquisitivo (ou poder de aquisição de bens) possui relação com a capacidade financeira de suportar compras e gastos. Em linguajar simplista, “ter muito dinheiro pode significar ter grande poder aquisitivo”. Complemento, porém, que o acesso ao crédito financeiro amplia mo...

29 – Enfrentar a pobreza não é sinônimo de enfrentar os pobres.

O desenvolvimento urbano fica suficientemente efetivo quando, presente em todo o território urbano, é tangível a todas as pessoas que vivem nesse território. Não há desenvolvimento urbano efetivo quando ocorrem a pobreza e a exclusão. Mesmo que a definição do termo “pobreza” seja passível de debates e possa variar conforme recortes territoriais e temporais, a ocorrência da pobreza inviabiliza o reconhecimento da plenitude do desenvolvimento urbano. Ainda que as feições do termo “exclusão” venham a ser distinguidas das exclusividades socialmente aceitas recorrentemente promovidas dentre as dinâmicas econômicas, a efetividade do desenvolvimento urbano fica limitada pela seletividade que desfavorece o acesso ao uso de espaços, bens e serviços públicos, sejam ruas, travessas, parques, praças, áreas verdes, corpos d’água, estabelecimentos de assistência à saúde, equipamentos para práticas esportivas, lazer etc .. O enfrentamento da pobreza não é sinônimo do enfrentamento dos pobres. O enf...

28 – Distinções entre o desenvolvimento urbano e o crescimento urbano.

As palavras “desenvolvimento” e “crescimento” representam faces distintas da evolução de pessoas, seres vivos, comunidades, cidades. A desenvolvimento de um ser humano não se limita ao crescimento do corpo desse ser humano. O aprimoramento de habilidades cognitivas e de habilidades sensoriais exemplifica o desenvolvimento pessoal. Igualmente, são exemplos: aprender idiomas, compreender relações lógicas matemáticas, reproduzir melodias em instrumentos musicais após simplesmente escutá-las. O desenvolvimento de cidades não se confunde com o crescimento das cidades. O êxodo rural havido principalmente durante a segunda metade do século XX retrata o crescimento populacional urbano. A ausência ou a ineficiência da efetiva organização do espaço urbano impossibilita afirmar que houve desenvolvimento urbano compatível com esse crescimento populacional. Houve desenvolvimento urbano em medida distinta do crescimento urbano. Seo (2016, p. 61) observa que a “má distribuição territorial das ativida...